Vale do Pati, Chapada Diamantina, Baêêêa!

Trekking no Vale do Pati. Muita trilha, verde e perrengue no vale encantado.

Dessa vez o rolê fica por conta da Mayara Freitas e Pedro Kretli e mais alguns amigos que arrumaram durante essa trip, cheia de lindas paisagens e muito perrengue rsrs!

Daqui pra baixo quem conta o rolê são eles, boa leitura.

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O Vale do Pati está localizado no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, no interior do Estado da Bahia, com riquíssima fauna e flora, exuberante e surpreendente pela sua magnitude.

O Vale do Pati pode ser alcançado, sempre caminhando e, por diversas direções. Como já estávamos passando uns dias no Vale do Capão, que se localiza ao norte do Pati, começamos nossa caminhada por lá.

 

Na manhã da partida, amanheceu com bastante chuva, o que acabou por lamear bastante a estrada que nos levava ao começo da trilha. Diante das chuvas, acabamos por desanimar um pouco, e nos deparamos sozinhos embaixo de uma cabana aguardando a chuva e repensando se iríamos ou não fazer a caminhada.

Nesse ponto, o primo de Pedro, que já havia ido ao Pati em julho de 2014, nos contou que ele havia ido com o guia (muitas pessoas contratam o guia, para não ser perder e ter uma ida mais segura). Nós, eu e Pedro, fomos em janeiro de 2015, e não sabíamos que era considerada alta temporada por lá, fazendo com que os valores, por pessoa, para ir com o guia, era em torno de R$ 500,00 (quinhentos reais).

Estávamos seguindo viagem desde 28 de dezembro pela Bahia, passando, antes de chegar a Chapada Diamantina, por Maraú – Barra Grande, o que nos fez desanimar de contratar o guia. Não estávamos contando com um valor consideravelmente alto para tal caminhada.

Assim, depois de várias dicas de Daniel (primo de Pedro), e de diversas pessoas pelo Vale do Capão, inclusive do Guia chamado Guirá – que por sinal, era filho do Diego, dono do melhor local do melhor café da manhã do Capão, O Café Galpão – nós decidimos encarar essa aventura.

Café da manhã tradicional no Galpão.

 

Deixamos o nosso carro dentro da pousada e seguimos com a caminhada.

Alguns imprevistos aconteceram, (depois que passa o momento torna-se engraçado), como o momento em que nós havíamos combinado com dois moto-táxis (muito comum pelo Capão) para nos levar até o começo da trilha. Do nosso hotel ao local que começava a trilha (chamado Bomba), era uma caminhada de 6km, o que, com nossa bagagem valeria a pena um transporte para economizar energia.

Como a estrada estava lameada, logo de cara o primeiro imprevisto, QUEDA A FRENTE!  O senhor estava conduzindo a moto (de sessenta anos, SIM! SESSENTA ANOS, e sem carteira), acabou que derrapou e tivemos uma pequena grande queda, mas Graças a Deus, ficou apenas um pequeno roxo na perna e um pedal da moto quebrada.

A pequena grande queda, foi de uma ladeira longa, cheia de lama e bem íngreme! Era a última ladeira de uma bateria de tantas outras que tínhamos escapado. Pedro foi primeiro, a moto de uma bambeada, mas não caíram. Lá de baixo eles ficaram assistindo, literalmente, toda a cena. A moto pegou muita velocidade e o motorista, que era um senhor muito inexperiente, brecou a moto no meio da ladeira. Na mesma hora derrapamos e saímos embolados ladeira abaixo.

Passado esse transtorno, quando já estávamos na cabana na entrada da trilha, repensando a ideia de começar a caminhada, surge um soteropolitano, sozinho, que também estava com o destino de ir ao Pati pela primeira vez. Era o Cássio. Foi a pessoa que nos motivou a continuar a trilha e foi uma excelente companhia durante todos os cinco dias.

Pelo caminho, devemos ainda dizer que, fomos mesmo “marinheiros de primeiro trekking!”.  Estávamos com mochilas de surf nas costas (nada aconselhável): carregadas de vinhos, macarrão, atum, queijos, goiabada, pães, roupas de banho e um casaco; sem contar um colchão (que largamos por lá) e a nossa santa barraca de camping (acho que não esqueci de mais nada!).

Estávamos calçados com tênis esportivos (o ideal seria um tênis para trilha), e em menos de 30min de caminhada, Pedro já estava descalço. A caminhada da ida estava bem lameada e escorregadia, optei por continuar de tênis, apesar de meu pé ter ficado bem molhado.

Enquanto isso, o Cássio estava com uma mochila de trekking com capa de chuva e uma botina que sequer entrava água, completamente equipado para a caminhada. Às vezes aprendemos na prática, ahahah!

Mas nada disso impediu de continuarmos a caminhada, que durou cerca de 08 horas, com lindas paisagens, subidas e descidas! Seguem algumas fotos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai um banquete aí?

 

 

 

 

 

Chegamos no Pati à noite, e desembarcamos na chamada “Igrejinha”. Estava muito cansada, e a mochila nos incomodou bastante (na verdade, feriu nossas costas! Ahahah). Ao chegarmos na Igrejinha, encontramos muito movimento e várias pessoas de vários lugares: cariocas, paulistas, gringos dos mais diferentes lugares e também a família que morava na Igrejinha.

Na primeira noite, dormimos no quarto. Mas não o quarto que vocês devem estar pensando, ahaha! Era uma casa de pau a pique, sem forro e um só cômodo. Vários colchões pelo chão, em que você dormia com todo mundo, que você tinha acabado de conhecer, juntos… na geral!

Havia um francês – bem excêntrico, que passou a noite deitado no colchão, enquanto o guia fazia sua alimentação. Ah, essa é a parte boa também, o guia prepara a sua alimentação durante a estadia. Conhecemos um guia carioca, Thiago, que até pizza artesanal fez para o casal que acompanhava.

Mas voltando, esse francês, estava lendo um livro sobre a sociedade brasileira e suas diversidades, que realmente, nada melhor do que o Pati para conhecer um pouco da nossa cultura (o engraçado que no momento de sua leitura havia um grupo com 30 pessoas, bem animados, BEM ANIMADOS, urrando no meio da vila com alguns malabares e fazendo algumas danças transcendentais, o que eu imagino que naquele momento pode ter ajudado na compreensão da sua leitura, ou não rs). Ele era bem quieto, mas à noite, um urso entrava no seu corpo e fazia um barulho um pouco parecido com o do ronco rs, o que atrapalhou um pouco a nossa noite, a sensação é que tinha um trator no quarto.

Por esses motivos, decidimos montar nossa barraca, no outro dia, do lado da Igrejinha e embaixo do pé de limão, para ficar bem fresquinha!

 

Ah, a amplitude térmica na Chapada Diamantina é alta, e com isso a variação de temperatura é uma realidade. Pela manhã faz muito calor (muito!), com um sol maravilhoso e céu azul digno para uma tarde na cachoeira, e, durante a noite, a temperatura cai bastante, de ter que usar casaco. Pegamos noites lindas, estreladas e com lua cheia! O céu era ainda mais estrelado no Pati, por conta da falta de luz elétrica.

É uma sensação muito diferente. Você se desliga bastante das questões materiais, e a sua rotina passa a ser apenas as trilhas maravilhosas do lugar e muito banho de cachoeira. Resumindo, nada de celular, nada de nada, só o essencial e uma mochila. Simplicidade.

A família que lá morava servia o jantar à noite, uma comida caseira espetacular, por cerca de R$ 25,00 por pessoa (farofa de cenoura, carne de sol, com direito a sobremesas que lembram os avós). Por lá também tinha as cozinhas de uso comunitário, em que a gente fazia umas massas, com brigadeiro de panela de sobremesa.

A galera que estava por lá fazia fogueiras a noite, rodas de violão e tudo mais. Era bem fácil de perder a noção do tempo/hora, sem qualquer preocupação.

Dentro do Vale do Pati existem várias famílias que te hospedam, nós optamos por permanecer todos os dias na Igrejinha, tendo em vista a precariedade de nossas mochilas, então nós fazíamos as trilhas durante o dia e voltávamos para a Igrejinha no final da tarde.

 

 

 

 

 

Senhor Tião descarregando a comida pro jantar.

As comidas só chegam por esse meio de transporte.

Soneca da tarde.

 

 

Apreciando um pouco do presente.

 

 

A trilha que sempre fazíamos era a da Cachoeira do Funil.

 

 

 

 

Lavando a alma.

 

 

Umas das partes mais difíceis da trilha, nosso amigo Cássio comandando!

 

 

 

 

O Cássio foi uma pessoa super agradável e que gostamos muito de ter conhecido, nos ajudou e esteve sempre no nosso lado. Ele falava muito de sua família, esposa e filhos, que disse que gostaria que eles estivessem no Pati com ele. Esperamos que esse sonho dele já tenha se realizado.

 

A volta foi com muito menos perrengue: mochilas vazias, um colchão que ficou de recordação no Pati (e certamente serviu para hospedar mais muitos curiosos), sol, e a para nossa alegria a trilha já estava seca, sem lama. O caminho de volta para a pousada fresco na memória fez parecer que a caminhada era inclusive mais curta.

 

 

 

 

 

 

 

Fizemos a volta super bem, e, chegando no Capão, mais um pouco de comida caseira, finalizando com um final de tarde com cores que ficaram marcadas na memória!

 

Galinha caipira com pirão, meu Deus!

Enfim, Vale do Capão

É uma experiência que serve para todas as idades. Existem vários trajetos, e alguns até mais curtos, como pelo Beco do Guiné.

Retornamos à Vitória com um gostinho de quero mais, com a certeza de que voltaremos a Chapada em breve para desbravar ainda mais aqueles cantos tão maravilhosos e ricos de natureza. Trocar ideia com aquele povo simples, de muita essência e valor. Além de chupar os dedos comendo a galinha caipira com pirão.

Depois faremos um post sobre o Capão, um lugar que passaríamos meses facilmente.

Por fim, algumas dicas:
i) mochila e calçado confortável para a caminhada;
ii) muito protetor solar;
iii) boas companhias.

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Encerra aqui mais um de rolê. Agradeço a Mayara e ao Pedro, primeiro por ter dado na cuca de fazer essa viagem e segundo por terem compartilhado com a gente.

Quem quiser compartilhar seus rolês, trips, viagens o que for, faça como eles. Ah sim, se tiver dúvida é só entrar em contato que respondemos tudo.  Vamo que vamo e partiu próximo rolê.

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